Nunca acreditei no dilema do nacionalismo versus municipalismo. Eu penso que o país se faz bairro a bairro, leira a leira, e que o papel dos entes locais é chave para construir um país diferente em que nós, as nacionalistas, acreditamos. Nesta concepção, o binômio antes exposto não tem cabida.

A macropolítica é a protagonista dos debates mediáticos mais encendidos. Mas a política municipal é a que se desenvolve no quotidiano, tem o privilegio de se desenvolver desde a instituição mais achegada ás pessoas, os concelhos. Contrariamente ao que por vezes se pensa, é um campo com uma grande e palpável capacidade de ação.

Atendendo á realidade, é evidente que desde a política municipal é complicado mudar a totalidade do sistema, mas, quando se consegue levar a cabo políticas municipais pensadas para o conjunto do povo, além de todo interesse particular, é possível levar a cabo medidas que permitam uma distribução mais justa dos investimentos e incrementar o poder do povo na toma das decissões sobre assuntos de interesse geral.

Nesse contexto, parece manifesto que a questão nacional e de classe é unha oportunidade para explicar essas mesmas necessidades que se detectam a nível municipal no plano nacional e o nacionalismo, representado nas vindeiras eleições exclusivamente pelo BNG, tem demostrado ser a única força política coerente na defensa dos interesses da classe trabalhadora e do país.

Nesse contexto, parece manifesto que a questão nacional e de classe é unha oportunidade para explicar essas mesmas necessidades que se detectam a nível municipal no plano nacional e o nacionalismo, representado nas vindeiras eleições exclusivamente pelo BNG, tem demostrado ser a única força política coerente na defensa dos interesses da classe trabalhadora e do país.

Os partidos com base em Madrid limitan-se a ser as correas de transmissão ao campo municipal das políticas definidas na capital, onde se perfilam as políticas que nos afectam a nós. O BNG, pela contra, situa o discurso no campo municipal que é o que se decide, achando-se na conjuntura de ver limitadas as suas competências pela legislação do Estado espanhol. Por exemplo, uma medida sobre política fiscal nunca se poderia modificar desde os concelhos. E o mesmo com os nossos sectores produtivos e estratégicos cujo desenvolvimento local não pode ser mais que parcial. Desligar o discurso municipal do nacional é uma fraqueza.

Mas também não há que ver isto como um total. Apenas supõe uma limitação que não inutiliza, nem moito menos, a politica local onde existe ainda capacidade de manobra para levar a cabo políticas transformadoras insubmissas com as políticas neo-liberais ditadas pelo governo central. Há capacidade para fazer as cousas doutro jeito. Desde os concelhos, com vontade política, pode-se trabalhar e tomar decissões guiadas a um modelo de sociedade mais justo que procure medidas para à criação de emprego, à municipalização e ampliação de serviços, a posta em valor dos recursos patrimoniais das nossas vilas e em definitiva, políticas que ajudem a dinamizar a economia local, oferecendo soluções às problemáticas particulares de cada município, criando concelhos que realmente sejam unha ferramenta capaz de resolver problemas em lugar de os criar.

Entendo que para as nacionalistas, a política municipal não é tanto uma questão de status de poder como uma questão de princípios. Entendemos o municipalismo como um dique de contenção, de autodefesa democrática contra o futuro que nos querem impor e onde a organização é chave para luitar contra esse individualismo visceral que aplica o neoliberalismo e reforçar o associacionismo e o vínculo social comunitário. Sempre defendemos que a ação política debe focalizar-se e justificar-se a partir da defensa das pessoas e do seu contorno natural, da família, do município e do Pais, e as instituções locais som um instrumento, unha outra ferramenta, para o acabar.

Nestes momentos de descrédito da política, em que se nos quere trasladar a falsidade de que todas somos iguais, é mais necessário que nunca tomar a palavra para demonstrar que não é em absoluto assim, com a firme determinação de não sermos espectadores alheios da nosa realidade local e que não nos resignamos. Sabemos que somos nós quem temos que fazê-lo, sem delegar nem deixar-nos tutelar.